Uma noite com cerca de uma hora extra de sono reduziu o cansaço de jovens atletas, mostra pesquisa

Uma noite com cerca de uma hora extra de sono reduziu o cansaço de jovens atletas, mostra pesquisa

Dormir aproximadamente uma hora a mais durante uma única noite já foi suficiente para diminuir a sensação de cansaço e melhorar o desempenho mental de jovens atletas. A conclusão vem de um estudo com 22 jogadores de hóquei no gelo, com média de 17 anos, que passaram por um protocolo de três semanas comparando o sono habitual com uma noite em que tinham 10 horas disponíveis na cama.

Normalmente, os atletas dormiam cerca de 7 horas e 4 minutos. Com a oportunidade extra, chegaram a aproximadamente 8 horas e 11 minutos, alta média de 16%, ou cerca de 67 minutos. Cada participante passou pelas duas condições, em ordem sorteada, funcionando como seu próprio controle. Depois de dormir, eles faziam duas horas de treino e, em seguida, uma tarefa cognitiva de 30 minutos que exige atenção e capacidade de ignorar informações conflitantes, além de testes de tempo de reação, salto vertical e força de preensão das mãos.

Menos fadiga, mais foco

Após a noite prolongada, a fadiga percebida caiu cerca de 23%, e o desempenho na tarefa cognitiva longa, chamada cMSIT, melhorou aproximadamente 8%. Os autores lembram que pequenas diferenças podem pesar em atletas de alto nível, que precisam decidir rápido mesmo cansados. A qualidade do sono não piorou: tempo para adormecer, eficiência e período acordado durante a noite ficaram semelhantes.

Nem tudo mudou, porém. Não houve diferença significativa no salto vertical, na força das mãos nem em um teste curto de vigilância psicomotora, de apenas três minutos. Os pesquisadores levantam a hipótese de que o benefício apareça mais em atividades que exigem atenção sustentada por mais tempo, o que ainda precisa ser confirmado.

Cautela na interpretação

Com apenas 22 participantes, todos jovens atletas homens de elite, os resultados não podem ser estendidos automaticamente a pessoas mais velhas, mulheres, sedentários ou quem tem distúrbios do sono. O estudo também não indica que quem já dorme o suficiente deva acrescentar uma hora toda noite: o ganho tende a fazer mais sentido para quem costuma dormir menos do que precisa. Trabalho anterior com jogadores universitários de basquete, que dormiram quase duas horas a mais por um período longo, já havia mostrado melhora em velocidade, arremessos, tempo de reação e bem-estar.

A pesquisa não responde se dormir mais no fim de semana compensa noites ruins, já que um bom sono envolve também regularidade e qualidade. Os autores consideram a extensão pontual do sono uma estratégia promissora, mas pedem novos estudos em outros esportes e fases da temporada. A mensagem é que sono faz parte da recuperação, ao lado de treino e alimentação, sem uma hora mágica válida para todos.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: David Shankbone/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

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