Vigorexia: quando a vontade de ganhar músculos passa a controlar a vida

Vigorexia: quando a vontade de ganhar músculos passa a controlar a vida

O pesquisador George Mycock tinha 22 anos quando perdeu o controle da própria rotina de treinos. Ao mesmo tempo em que temia engordar, queria ganhar cada vez mais músculos, a ponto de pesar até folhas de alface para controlar o que comia. Mesmo treinando muito, nunca se sentia satisfeito e achava que lhe faltavam disciplina e valor para alcançar o corpo ideal.

A situação o levou ao isolamento, ao afastamento dos amigos e a pensamentos suicidas, até que, depois de desabafar com uma amiga, ele resolveu procurar ajuda. Anos mais tarde, já atuando como pesquisador, passou a entender que viveu um quadro de dismorfia muscular, também chamada de vigorexia.

O que é a dismorfia muscular

Trata-se de uma condição de saúde mental caracterizada pela obsessão em ficar cada vez mais musculoso. Pode envolver treinos excessivos, uso de substâncias para melhorar a aparência ou o desempenho e a sensação de estar magro demais mesmo com a musculatura bem desenvolvida. Embora possa ser confundida com vaidade, e muitas vezes até elogiada, é um distúrbio real, que faz parte do espectro dos transtornos de imagem corporal e alimentares.

Impactos no dia a dia

Para quem convive com o problema, a musculação deixa de ser um passatempo saudável e vira um peso. Faltar à academia gera angústia, e o corpo passa a ocupar o centro da vida, prejudicando estudos, trabalho e relacionamentos e levando ao isolamento. O transtorno também está associado a riscos sérios, como depressão, ansiedade, uso de substâncias e pensamentos suicidas. O abuso de esteroides, por exemplo, pode causar danos físicos e mentais.

Sinais de alerta

Não existe uma linha oficial que separe a dedicação saudável do transtorno. O que diferencia os dois é o quanto o desejo por músculos passa a dominar a vida da pessoa, em vez de ser apenas uma parte dela. Quando treino e alimentação deixam de dar prazer e passam a provocar sofrimento, insegurança e prejuízos sociais ou emocionais, é hora de acender o alerta.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: AMISOM Public Information/Wikimedia Commons (CC0)

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