Aveia e colesterol: pesquisa alemã aponta queda do LDL, mas resultado pede cautela

Aveia e colesterol: pesquisa alemã aponta queda do LDL, mas resultado pede cautela

Presença frequente em pesquisas sobre saúde do coração, a aveia voltou a ser destaque em um estudo publicado em janeiro na revista Nature Communications. Os resultados sugerem que o cereal pode ajudar a baixar o colesterol total e o LDL, embora especialistas ressaltem que o efeito depende da alimentação como um todo e do estilo de vida.

Como foi o estudo

Pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, avaliaram os efeitos de uma dieta rica em aveia em pessoas com síndrome metabólica, condição que reúne resistência à insulina, colesterol alto, hipertensão e obesidade.

Participaram 68 voluntários, submetidos a dietas controladas. Um grupo ingeriu grande quantidade de aveia durante dois dias; outro manteve consumo moderado por seis semanas. Ao final, os cientistas registraram redução do colesterol total e do LDL.

O papel da betaglucana

Boa parte do efeito é atribuída à betaglucana, fibra solúvel da aveia que estimula bactérias benéficas do intestino. Com isso, o organismo produz compostos que ajudam a regular o colesterol. Segundo especialistas, ingerir pelo menos 3 gramas de betaglucana por dia já pode contribuir para quedas importantes, quantidade que costuma ser atingida com 60 a 80 gramas de aveia em flocos diários.

Limitações da pesquisa

  • Parte do experimento usou 300 gramas de aveia por dia, volume distante da rotina da maioria das pessoas.
  • Os participantes seguiram um protocolo com redução de calorias, o que também pode ter influenciado a queda do colesterol.
  • Todos tinham síndrome metabólica e marcadores alterados, o que pode ter ampliado o efeito em comparação com pessoas metabolicamente saudáveis.

Na prática, a aveia pode ser uma aliada da saúde cardiovascular, mas não é solução isolada e não substitui medicamentos quando há indicação médica. Os melhores resultados aparecem quando ela faz parte de uma alimentação equilibrada e variada, com menos ultraprocessados e hábitos de vida saudáveis.

Outras fontes de fibras solúveis também contribuem, como feijão, lentilha, grão-de-bico, cevada, psyllium, chia, linhaça, oleaginosas, maçã, frutas cítricas, cenoura e brócolis. Combinar esses alimentos no dia a dia tende a trazer um efeito mais consistente do que apostar em um único item.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Shisma/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

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