Exercício físico pode alterar a microbiota intestinal, mas efeito depende da dieta e da regularidade

Exercício físico pode alterar a microbiota intestinal, mas efeito depende da dieta e da regularidade

Além de fortalecer músculos e melhorar o condicionamento, a atividade física pode mexer com a microbiota intestinal, o conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no intestino. Pesquisas recentes reforçam essa ligação, mas ainda não permitem apontar um tipo de treino capaz de criar uma microbiota ideal.

Um estudo publicado em agosto de 2026 acompanhou 24 adultos saudáveis em três fases: oito semanas de exercícios por conta própria, oito semanas sem o programa e um período controle também sem treino. Após a fase ativa, houve aumento de alguns indicadores de diversidade microbiana e mudanças na produção de ácidos graxos de cadeia curta, como acetato, propionato e butirato, compostos que as bactérias produzem ao fermentar fibras e que participam da barreira intestinal, do metabolismo e da imunidade. Parte dessas alterações desapareceu quando o treino foi interrompido, e os efeitos variaram conforme a alimentação dos participantes.

Dieta pesa na conta

Separar o efeito do exercício do efeito da comida é um dos grandes desafios da área. Em um estudo com 302 adultos jovens, diferenças na microbiota entre ativos e sedentários perderam força depois do ajuste pela dieta. Uma revisão de 2026 com 89 estudos, 47 em humanos e 42 em animais, encontrou sinais de que a atividade física altera a composição e a atividade das bactérias, mas com resultados bastante variáveis em pessoas. Já uma meta-análise de 14 ensaios só com exercício não achou mudança significativa na diversidade alfa, o que não é necessariamente contraditório, já que protocolos e métodos diferem e diversidade é apenas uma das medidas possíveis.

Metabolismo e intensidade

Em pessoas com sobrepeso ou obesidade, uma meta-análise de agosto de 2026 registrou mudanças em bactérias junto com melhora de circunferência abdominal, gordura corporal, pressão e hemoglobina glicada, sem ser possível dizer quanto se deve à microbiota. Um estudo brasileiro com mulheres que fizeram cirurgia bariátrica mostrou que as que seguiram seis meses de exercícios tiveram mudanças na microbiota e melhores HDL, triglicerídeos, glicemia e insulina de jejum; camundongos que receberam a microbiota delas tiveram menor insulina e resistência à insulina em alguns indicadores, resultado obtido em animais.

Programas de intensidade moderada a alta por várias semanas costumam produzir alterações, e o exercício contínuo moderado mostra resultados relativamente consistentes, mas não existe prescrição definida. Treinos muito intensos e longos podem reduzir o fluxo de sangue para o intestino e causar náuseas, cólicas ou diarreia em atletas de resistência, e treinos intervalados de alta intensidade podem aumentar temporariamente a permeabilidade intestinal em pessoas não treinadas. Mais intensidade, portanto, não significa mais benefício.

O que vale na prática

A atividade física pode ajudar o trânsito intestinal, mas não deve ser vista como tratamento único para prisão de ventre persistente; sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, dor contínua ou mudanças importantes no hábito intestinal pedem avaliação médica. A orientação dos estudos é manter exercícios regulares, progredir de acordo com o condicionamento e combiná-los com uma alimentação variada, rica em frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Nenad Stojkovic/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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