Guavira: a fruta que anuncia a primavera e a chuva em MS

Em novembro, potes e sacos de guavira aparecem nas beiras de rua de Campo Grande, e a cidade parece lembrar da infância de uma vez. Quem cresceu por aqui reconhece o fruto de longe, e a chegada dele diz que a chuva está perto.
História e origem
A guavira é um fruto do cerrado, de arbusto baixo do gênero Campomanesia, que mede entre 50 centímetros e 1,5 metro. Floresce entre setembro e outubro, e os frutos aparecem de novembro a janeiro. A casca fica verde mesmo quando maduro, a polpa é suculenta, doce e levemente ácida, e as sementes são brancas. O fruto é colhido e consumido pelos Terena.
Em Mato Grosso do Sul, a guavira é símbolo da chegada das chuvas e da nostalgia dos campo-grandenses. O fruto também é chamado de guabiroba, e o estado é considerado a região das guabirobas. Mas o território encolhe: o desmatamento e a expansão da soja e das pastagens restringiram a planta a áreas rochosas. Por isso a guavira integra a Arca do Gosto, catálogo do movimento Slow Food que reúne alimentos ameaçados.
Como é consumido
O jeito favorito é ao natural, direto da mão, mas a guavira rende bem em outras preparações.
- ao natural, como fruta de safra;
- em suco, sorvete e gelatina;
- em doces e geleias;
- em licor e em outros fermentados e destilados.
A extração da polpa costuma ser manual, porque o fruto oxida com facilidade em contato com metal. Lave bem a guavira antes de comer, principalmente se foi comprada na rua.
Onde encontrar
- Barracas de guavira junto ao Cemitério Cruzeiro — Campo Grande, venda sazonal que costuma ocorrer em novembro.
- Bonito — a cidade é um dos pontos de colheita e venda da fruta e realiza um festival dedicado à guavira.
- Essência Pantaneira — Campo Grande, banca da Feira Central que vende licor de guavira, entre cerca de 20 sabores artesanais.
Barraca de rua depende da safra de cada ano, então olhe o calendário e o clima antes de se programar.
Curiosidades
- A planta aproveita bem os solos rochosos e, por isso, é nessas áreas que ela ainda resiste ao avanço das lavouras.
- Seco, o fruto tem sabor parecido com o da noz-moscada.
- Estudos universitários já formularam licores de guabiroba em Mato Grosso do Sul.

Foto de destaque: Tito Lahaye / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons.







