Seletividade alimentar no autismo: estratégias para ampliar o cardápio com paciência

Comum entre crianças e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a seletividade alimentar envolve recusar determinados alimentos ou preferir outros de forma extrema. O resultado pode ser uma dieta muito limitada e, em alguns casos, deficiências nutricionais, o que preocupa pais, cuidadores e profissionais de saúde. Há, porém, caminhos para tornar a alimentação mais variada.
Como a seletividade aparece
A preferência pode estar ligada a uma cor, textura ou sabor específicos, e a rejeição pode ser motivada por cheiro ou aparência. Muitas crianças no espectro também resistem a mudanças, o que torna a introdução de novos alimentos um desafio. Estudos relacionam esse comportamento à sensibilidade sensorial, frequente no TEA: certas texturas podem incomodar e alguns odores são percebidos com mais intensidade. Questões comportamentais e dificuldades de comunicação também influenciam a forma como as preferências são expressas.
Estratégias que podem ajudar
- Respeitar o tempo da criança: forçar o consumo tende a aumentar a ansiedade em torno da comida. O ideal é permitir a familiarização sem pressão.
- Exposição gradual: no chamado treino de exposição, o alimento é apresentado várias vezes, em contextos diferentes, sem obrigação de comer, para que a criança se acostume antes de provar.
- Experiências sensoriais positivas: apresentar texturas, cores e formatos de maneira lúdica torna as refeições mais atraentes e menos estressantes.
- Reforço positivo: elogiar ou recompensar cada avanço, mesmo que seja só tocar ou cheirar um alimento novo.
- Participação no preparo: escolher ingredientes, lavar vegetais ou montar o prato desperta curiosidade e sensação de controle.
- Rotina: horários e ambientes previsíveis para as refeições reduzem a ansiedade.
Apoio profissional
Muitas vezes é necessário o suporte de uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, para montar um plano individualizado que trabalhe as questões sensoriais e comportamentais. O acompanhamento nutricional garante que, mesmo com um cardápio restrito, a criança receba proteínas, vitaminas e minerais adequados. Em dietas muito restritivas, pode ser preciso suplementar, decisão que cabe ao profissional responsável, que também acompanha o crescimento e o desenvolvimento.
Lidar com a seletividade exige paciência, criatividade e apoio especializado. Cada criança é única, e o que funciona para uma pode não servir para outra, mas com estratégias adequadas é possível ampliar gradualmente a variedade do prato.
Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: U.S. Department of Agriculture/Wikimedia Commons (Domínio público)







