Vacina nonavalente contra HPV ganha aval para prevenir câncer de garganta, cabeça e pescoço

Vacina nonavalente contra HPV ganha aval para prevenir câncer de garganta, cabeça e pescoço

A agência reguladora brasileira aprovou uma nova indicação para a vacina nonavalente Gardasil 9. Além das prevenções que já constavam na bula, como lesões e cânceres anogenitais relacionados ao HPV, o imunizante passa a ter indicação formal para prevenir câncer de orofaringe e outros tumores de cabeça e pescoço associados ao vírus. A autorização vale para meninos, meninas, homens e mulheres de 9 a 45 anos.

O que muda

A mudança é regulatória e clínica: a composição da vacina continua a mesma, mas ela ganha reconhecimento oficial para prevenir um tipo de tumor que preocupa cada vez mais, os ligados ao HPV na região da garganta. Esse tipo de atualização costuma ocorrer quando a autoridade sanitária avalia as evidências disponíveis e conclui que há base para incluir a nova proteção na bula.

É importante lembrar que a vacina previne a infecção persistente por tipos de HPV capazes de causar câncer. Ela não trata infecção já existente nem câncer.

Por que o HPV afeta cabeça e pescoço

Parte dos cânceres dessa região, sobretudo os de orofaringe (área que inclui amígdalas e base da língua), pode estar relacionada à infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV, com destaque para o HPV 16 e outros tipos cobertos pela vacina.

Para dimensionar o problema, as estimativas nacionais mais recentes do INCA projetam cerca de 17.190 casos novos por ano de câncer da cavidade oral e 8.510 de câncer de laringe no Brasil. As estimativas globais também mostram carga elevada de tumores de lábio, cavidade oral e faringe.

Como está a vacinação no SUS

  • A rotina prevê a vacina quadrivalente (HPV4) em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
  • O governo federal mantém o resgate vacinal para jovens de 15 a 19 anos, com prazo estendido até o primeiro semestre de 2026, segundo comunicados oficiais.
  • O calendário e a instrução normativa detalham grupos prioritários, como imunodeprimidos.

Com a nova indicação, a procura por informação e vacinação tende a crescer, mas a mensagem principal não muda: quanto mais cedo, antes do contato com o vírus, melhor a proteção. Mesmo vacinadas, as pessoas devem manter as medidas de prevenção e rastreamento recomendadas para outras condições ligadas ao HPV, como o acompanhamento ginecológico, quando for o caso.

Fonte: Bem-Estar DF – leia o conteúdo original | Foto: Ted Eytan/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

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