Morte do irmão de Ana Lídia encerra, sem respostas, o crime que chocou Brasília há 53 anos

Morte do irmão de Ana Lídia encerra, sem respostas, o crime que chocou Brasília há 53 anos

A morte de Álvaro Henrique Braga, irmão de Ana Lídia Braga, a menina violentada e assassinada em 12 de setembro de 1973 nas imediações da Universidade de Brasília, fecha de vez um dos casos mais emblemáticos da história da capital. Ele era a última testemunha viva do crime e chegou a ser preso como suspeito, mas foi inocentado no processo.

Depois do caso, Álvaro se mudou para o Rio de Janeiro, onde atuava como médico desde 1983. O óbito, confirmado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, ocorreu em 25 de novembro do ano passado, aos 71 anos, mas só se tornou público na quarta-feira (16/9).

O caso

Ana Lídia desapareceu na tarde de 11 de setembro de 1973, depois de os pais a deixarem na porta de uma escola particular da Asa Norte para aulas de reforço. Uma testemunha disse que um homem alto e loiro, de blusa branca e calça verde-militar, abordou a menina e os dois saíram juntos. A polícia apontou Álvaro Henrique como principal suspeito de ter buscado a irmã na escola, embora os pais sempre tenham sustentado que ele estava com eles naquele momento.

A investigação também indicou Raimundo Lacerda Duque, então com 30 anos, como possível comparsa; ele afirmou ter sabido do desaparecimento pelo rádio. Os dois ficaram presos por mais de um ano e, em junho de 1975, foram absolvidos por falta de provas. Alfredo Buzaid Júnior, filho do então ministro da Justiça, e Eduardo Ribeiro de Rezende, o Rezendinho, filho do então senador Eurico Rezende, também chegaram a ser considerados suspeitos, sem que se estabelecesse ligação com o crime. O processo foi reaberto em 1985 e encerrado por falta de provas; o crime prescreveu em 11 de setembro de 1993.

Mortes

Duque morreu em 2005, em decorrência de problemas com alcoolismo, mesmo ano da morte da mãe de Ana Lídia, que nunca acreditou no envolvimento do filho. O pai, Álvaro Braga, mudou-se com a família para o Rio após a absolvição e morreu em 2011 sem dar entrevistas sobre o caso. Buzaid Júnior morreu em um acidente de carro em 1975, e Rezendinho morreu em 1990, em Vitória (ES). O túmulo de Ana Lídia, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, segue entre os mais visitados, e o parque que leva seu nome, no Estacionamento 12, recebe crianças diariamente. O caso deve virar filme de suspense gravado em Brasília.

Fonte: Metrópoles | Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

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