Ostras de Cabaraquara: o sabor adocicado da Baía de Guaratuba

Na Baía de Guaratuba, quem manda no calendário é a maré. É ela que enche os canais, carrega o alimento para dentro das cordas e define a hora de colher as ostras de Cabaraquara, uma pequena comunidade do litoral paranaense que virou referência nacional em maricultura.
História e origem
Cabaraquara fica no município de Guaratuba, entre a Serra do Mar e o oceano, em uma área de rios que descem da Mata Atlântica e se misturam à água salgada da baía. Esse encontro de água doce e salgada, com fundo de lama e marés fortes, forma o ambiente de que as ostras gostam.
As técnicas de cultivo começaram a ser desenvolvidas nos anos 1980, e foi a partir dos anos 1990 que famílias da região passaram a criar ostras como alternativa à pesca extrativista. A virada ganhou força em 2005, com uma parceria com a Universidade Federal do Paraná que ajudou a organizar o cultivo. Entre os pioneiros está o maricultor Hamilton de Moura Kirchner, que transformou o que era renda complementar, vinda do extrativismo no manguezal, em negócio e em restaurante.
Hoje cerca de dez maricultores, reunidos na Associação Guaratubana de Maricultores (Aguamar), produzem aproximadamente 80 mil dúzias por ano. Em 28 de outubro de 2025, o INPI concedeu às ostras de Cabaraquara o registro de Indicação Geográfica na modalidade Indicação de Procedência, a 22ª do Paraná. A Assembleia Legislativa do estado também aprovou projeto que reconhece o cultivo, o manejo e o preparo da ostra de Cabaraquara como patrimônio imaterial paranaense.
Como é feito
São cultivadas duas espécies nativas do gênero Crassostrea. As sementes se fixam em estruturas submersas e, quando crescem, vão para “lanternas”, cestos de rede de náilon em vários andares que ficam na água. Há três sistemas aprovados: o longline, em que cordas sustentadas por boias levam as lanternas; a balsa flutuante; e a mesa fixa, que sofre a influência da maré. O produto final tem em geral de 7 a 10 centímetros, carne firme, concha grossa e o sabor leve e adocicado que deu fama à região.
À mesa, a ostra de Cabaraquara costuma ser servida de formas simples, para não esconder o gosto do mar:
- crua, com gotas de limão, molho de pimenta ou vinagrete;
- grelhada ou gratinada na própria concha;
- em risotos, paellas, ceviches, caldos e ensopados;
- como guarnição de drinques à base de vodca ou gim.
Para servir cruas em casa, o caminho tradicional é este:
- Compre ostras vivas, de procedência conhecida, mantidas bem geladas.
- Lave as conchas sob água corrente, escovando a sujeira.
- Abra com faca própria, cortando o músculo que prende a carne à concha, sem derramar o líquido.
- Sirva sobre gelo, com limão ou vinagrete, e coma logo.
O cuidado com a origem importa: ostra crua só deve ser consumida quando vem de cultivo controlado.
Onde provar
A estrada que leva a Cabaraquara ficou conhecida como Caminho das Ostras, trecho que reúne restaurantes especializados no molusco, muitos deles ligados às famílias que cultivam.
- Ostra Viva — Estrada do Cabaraquara, Cabaraquara, Guaratuba (PR). Serve ostras frescas cruas ou grelhadas, além de outros frutos do mar.
Antes de pegar a estrada, confirme com o restaurante o dia e o horário de abertura, já que o movimento no litoral muda bastante com a temporada.
Curiosidades
- Cabaraquara é apontada como a primeira área do país a receber autorização para o cultivo de ostras.
- A Indicação de Procedência protege o nome da região contra imitações e aproxima o consumidor de quem produz.
- As ostras da Baía de Guaratuba costumam ser citadas em avaliações de especialistas japoneses como estando entre as melhores do mundo, reputação que ajudou a atrair visitantes.
- O cultivo é familiar e artesanal: alguns produtores chegam a colher de 12 mil a 15 mil dúzias por ano.

Foto de destaque: Nivaldo Cit filho / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons.







