Vinhos de Bituruna: casca dura, a uva aromática do sul do Paraná

Vinhos de Bituruna: casca dura, a uva aromática do sul do Paraná

Um vinho branco de cor dourada, que cheira a flores e frutas tropicais, vindo de uma região que muita gente associa mais ao pinhão e ao frio do que a parreirais. É assim, em contraste, que o vinho de Bituruna costuma surpreender quem o prova pela primeira vez.

História e origem

Bituruna fica no sul do Paraná. Na década de 1920, descendentes de italianos vindos do Rio Grande do Sul chegaram à então Colônia Santa Bárbara e trouxeram mudas de uva e o hábito de fazer vinho em casa. Os parreirais familiares se espalharam, e a produção cresceu aos poucos. Em 2001 foi lançado um projeto de profissionalização da atividade, e em 2020 o município recebeu o título de Capital Estadual do Vinho.

Em outubro de 2022, o INPI reconheceu os vinhos de Bituruna com Indicação Geográfica na modalidade Indicação de Procedência, a 11ª do Paraná. O selo vale para o vinho casca dura produzido por quatro vinícolas: Sanber, Bertoletti, Di Sandi e Dell Mont, abastecidas por cerca de cem produtores de uva da região.

Como é feito

A produção de Bituruna é deliberadamente pequena, de perfil artesanal, e a compra das uvas de agricultores da região sustenta famílias do campo ao longo do ano. O vinho de casca dura nasceu dessa lógica: pouca quantidade, muito cuidado.

A estrela local é a uva casca dura, de casca rosada e grossa, resultado de um cruzamento natural do tipo moscato com uvas nativas. Por ter pouco suco, ela exige mais fruta: são cerca de 3 quilos por litro de vinho, contra cerca de 2 quilos da bordô e 1,4 da niágara. Dela sai um vinho branco seco e aromático, de cor dourada, acidez de média a baixa e perfume que lembra frutas tropicais.

O caminho da uva à taça segue, em linhas gerais, o da vinificação em branco:

  1. As uvas são colhidas na safra, selecionadas e levadas à vinícola.
  2. Passam por esmagamento e prensagem para separar o mosto das cascas.
  3. O mosto fermenta em temperatura controlada, quando o açúcar vira álcool.
  4. O vinho repousa, é clarificado e engarrafado.

As vinícolas de Bituruna fazem também vinhos de outras uvas, como bordô (que tem Indicação de Procedência própria), merlot, cabernet sauvignon e malbec, além de moscatos e suco de uva.

Onde provar

  • Vinícola Sanber — Bituruna (PR). Tem museu com objetos do período colonial e passeio pelos parreirais.
  • Vinícolas Bertoletti, Di Sandi e Dell Mont — Bituruna (PR). Integram a Rota do Vinho, estrada que liga as vinícolas e abre espaço para degustações.
  • Restaurante 7 Colinas — Bituruna (PR). Usa o vinho casca dura em pratos da cozinha ítalo-brasileira, como ossobuco com polenta e assados de cordeiro.

As visitas costumam depender de agendamento, então combine antes com a vinícola o dia e o horário em que ela recebe.

Curiosidades

  • Bituruna realiza a Festa do Vinho, evento que se repete a cada dois anos, além de corridas e caminhadas pela Rota do Vinho.
  • O casca dura tem aroma tão intenso que é comparado a vinhos aromáticos de fama internacional.
  • O município é considerado o maior produtor de vinho do Paraná.
Vinhos de Bituruna - imagem ilustrativa
Vinhos de Bituruna (imagem ilustrativa). Foto: autor não informado / Public domain / Wikimedia Commons.
Foto de destaque: autor não informado / Public domain / Wikimedia Commons.
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