Urucum de Paranacity: o ouro vermelho do Paraná com selo de IG

Urucum de Paranacity: o ouro vermelho do Paraná com selo de IG

Nos anos 1980, as sementes vermelhas do urucum eram chamadas de “ouro vermelho” no noroeste do Paraná. Quatro décadas depois, o apelido ganhou carimbo oficial: em maio de 2025, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu à região de Paranacity e Cruzeiro do Sul o selo de Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência, a primeira do país para o urucum.

História e origem

O urucuzeiro (Bixa orellana) é uma planta nativa das Américas, e o nome vem do tupi, de uma palavra que significa “vermelho”. Povos indígenas sempre usaram a polpa que reveste as sementes para pintar o corpo e proteger a pele do sol. Desde o século XVII o produto é exportado para a Europa como corante.

Em Paranacity, a lavoura comercial começou em 1981, quando o produtor João Trindade Lopes plantou as primeiras sementes e passou a testar, na prática, formas de propagar as mudas. Dali a cultura se espalhou entre pequenos agricultores, e o município ganhou o apelido informal de “Capital do Urucum”. Hoje, a Associação dos Produtores de Urucum de Paranacity, a Aprucity, reúne dezenas de produtores e liderou o pedido de reconhecimento.

O registro no INPI, de 6 de maio de 2025, delimita a área formada pelos municípios de Paranacity e Cruzeiro do Sul. Juntos, os dois produziram 805 toneladas em 2023, com valor bruto de produção de R$ 12,1 milhões, a maior produção do estado. O diferencial está na bixina, o pigmento que dá a cor: o urucum da região passa de 5%, enquanto o de outras áreas costuma ficar perto de 3%. Predominam as variedades Piave e Piave Anão, e a secagem das sementes leva cerca de 20 dias.

Como é consumido

O urucum não se come como fruta de mão. A cápsula espinhosa, de casca vermelha, guarda de 30 a 50 sementes envoltas por uma película colorida, e é ela que tinge e tempera a comida. O sabor é discreto; o que o urucum entrega mesmo é cor.

  • colorau ou colorífico, o pó das sementes moídas, que tinge arroz, farofa e molhos;
  • óleo ou azeite de urucum, que dá cor a refogados, galinhadas, carnes e peixes;
  • sementes inteiras, vendidas em grãos para quem prefere preparar em casa.

Para fazer o óleo em casa:

  1. Coloque uma colher de sopa de sementes para cerca de meia xícara de óleo em panela pequena.
  2. Aqueça em fogo baixo, mexendo, até o óleo ficar alaranjado. Fogo alto queima a semente e deixa o tempero amargo.
  3. Desligue, deixe esfriar um pouco e coe.
  4. Guarde em vidro limpo e bem fechado, na geladeira.

Como o corante é forte, basta pouco óleo para dar cor ao arroz ou a um refogado.

Onde encontrar

A referência é a própria região produtora: Paranacity e Cruzeiro do Sul, no noroeste do Paraná, onde o urucum com selo é cultivado. A maior parte da colheita segue para processamento e distribuição em outros estados, então o colorau e as sementes chegam ao consumidor por mercados e lojas de temperos. Quem planeja visitar a região pode procurar a Aprucity ou a prefeitura para saber de propriedades que recebem visitantes, já que o funcionamento e a disponibilidade mudam ao longo do ano.

Curiosidades

  • O Paraná tem urucum plantado em 39 municípios, mas Paranacity e Cruzeiro do Sul formam o maior polo do Sul do Brasil.
  • Com esse reconhecimento, o estado chegou a 17 Indicações Geográficas, segundo o governo paranaense.
  • A neutralidade de sabor e a ausência de corantes artificiais ajudaram o urucum a ganhar espaço na indústria de alimentos, além de usos em cosméticos, tecidos e bronzeadores.
Urucum de Paranacity - imagem ilustrativa
Urucum de Paranacity (imagem ilustrativa). Foto: Leonardo Aguiar / CC BY 2.0 / Wikimedia Commons.
Foto de destaque: Leonardo Ré-Jorge / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.
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