Pitanga no Paraná: a fruta vermelha dos quintais e da mata

Pitanga no Paraná: a fruta vermelha dos quintais e da mata

A pitangueira dá fruto uma vez por ano, e a criançada de quintal sabe o dia: a árvore se enche de bolinhas cor de fogo, e ninguém espera para lavar. A fruta vai direto da mão para a boca, com o sabor entre o doce e o azedo que ninguém esquece.

História e origem

A pitanga (Eugenia uniflora) é nativa do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Uruguai. O nome vem do tupi, de uma palavra que quer dizer vermelho, em referência à cor do fruto. No Paraná, a pitangueira ocorre naturalmente na floresta com araucária e nas florestas estacionais do interior, e a árvore pode chegar a cerca de 15 metros de altura.

A floração acontece entre agosto e novembro, e os frutos maduros aparecem de outubro a novembro no estado, mais cedo que no Rio Grande do Sul. Em levantamento sobre frutas nativas em propriedades rurais de Dois Vizinhos, no sudoeste paranaense, a pitanga e a guabiroba estavam entre as espécies mais frequentes.

A pitanga quase não aparece em escala comercial: madura, é tão tenra que estraga no transporte e aguenta cerca de 24 horas fora da geladeira. Por isso é fruta de pomar doméstico, de beira de cerca, de quem tem um pé no fundo do quintal.

Como é consumido

A pitanga é uma baga redonda, de 1,5 a 5 centímetros, com sulcos ao longo da casca. Na árvore, a cor vai do verde ao amarelo, depois ao laranja, ao vermelho e, no ponto mais maduro, quase ao preto. Dentro, há uma semente grande ou duas ou três pequenas, e uma polpa suculenta, rica em vitamina A.

O jeito mais comum é colher e comer ao natural, de preferência quando está bem vermelha ou quase escura, pois é então que fica mais doce. Também vira suco, polpa, sorvete, geleia, licor e até vinho caseiro.

  • ao natural, sem o caroço;
  • suco batido com água e açúcar, coado para tirar as sementes;
  • geleia, de pitangas cozidas com açúcar;
  • licor, de pitangas deixadas em cachaça ou álcool de cereais com açúcar;
  • sorvete e picolé.

Para uma geleia simples, use cerca de 500 g de pitangas sem sementes para 250 g de açúcar. Leve ao fogo baixo e mexa até engrossar.

  1. Lave as frutas, retire o cabinho e as sementes.
  2. Misture a polpa ao açúcar numa panela.
  3. Cozinhe em fogo baixo, mexendo, por cerca de 30 minutos, até ponto de geleia.
  4. Guarde em potes esterilizados.

Onde encontrar

O melhor ponto de referência são os pomares domésticos e as propriedades rurais do interior paranaense, onde a pitangueira cresce ao lado de guabirobas e jabuticabas. Na cidade, é mais comum achar a árvore em quintais e praças do que a fruta à venda, então o jeito é perguntar ao vizinho ou aproveitar a estação, entre outubro e novembro.

Curiosidades

  • As folhas, quando maceradas, soltam o cheiro característico da pitanga, inconfundível.
  • As flores são melíferas e atraem abelhas, e a árvore é muito usada para atrair pássaros.
  • No exterior, a fruta é conhecida como cereja-de-cayenne, cereja do Brasil ou cereja-de-Suriname.
  • Folhas e frutos têm uso tradicional na medicina popular, como chá, mas isso não substitui orientação de um profissional de saúde.
Pitanga - imagem ilustrativa
Pitanga (imagem ilustrativa). Foto: Michael Hermann / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons.
Foto de destaque: Miguel Axcar / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.
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