Bolo de bocaiuva: a farinha do cerrado no doce de MS

Pense numa farinha cor de gema, feita de um fruto que muita criança do interior de Mato Grosso do Sul já mastigou como se fosse chiclete. É dela que nasce o bolo de bocaiuva, doce de lanche que mistura memória de infância e ingrediente do mato.
História e origem
A bocaiuva, também chamada macaúba, é o fruto de uma palmeira nativa de cuja polpa, farinha e amêndoa se aproveita quase tudo. O povo Terena, em Mato Grosso do Sul, a consome há muito tempo. O bolo, em si, não tem data de nascimento nem inventor conhecido: é uma receita de cozinha caseira que usa a farinha no lugar de parte da farinha de trigo, ou da farinha toda.
A farinha tem endereço certo no estado. Em Corumbá, a Comunidade Antonio Maria Coelho produz a farinha de bocaiuva de forma artesanal: os frutos maduros são colhidos do chão, a casca e a polpa são retiradas à mão e a polpa vira farinha. Em Aquidauana, o projeto Bocaiuva: Palmeira da Paz também trabalha com a produção de farinha. Estudos feitos com a farinha corumbaense chegaram a testar bolos preparados com ela.
Como é feito
A massa segue a lógica de um bolo simples de lanche. A farinha de bocaiuva entra no lugar da de trigo, total ou parcialmente, conforme o gosto de quem faz.
- farinha de bocaiuva;
- farinha de trigo, se a receita pedir;
- ovos, açúcar e manteiga ou óleo;
- leite e fermento;
- canela ou erva-doce, opcionais.
- Bata os ovos, o açúcar e a gordura até formar um creme claro.
- Alterne a farinha de bocaiuva (e a de trigo, se usar) com o leite.
- Acrescente o fermento por último, misturando sem exagero.
- Asse em forma untada, em forno médio, até dourar e o palito sair seco.
Quem cozinha em casa costuma acertar a quantidade de líquido aos poucos, olhando o ponto da massa. Coco ralado, castanhas ou raspas de laranja combinam com o sabor adocicado da farinha, e uma fatia ao lado de um café coado resolve a tarde.
Onde encontrar
- Corumbá — a Comunidade Antonio Maria Coelho é referência na produção artesanal da farinha de bocaiuva usada em receitas como esta.
Venda direta, feiras e pontos de compra mudam de uma safra para outra, então o melhor é perguntar a produtores e feirantes da região antes de procurar a farinha.
Curiosidades
- A polpa e a farinha da bocaiuva também entram em batidas, sucos, vitaminas, doces, sorvetes, cremes, mingaus, geleias e picolés.
- A palmeira da bocaiuva pode viver cerca de 100 anos.
- Em Cuiabá, o fruto é conhecido como chiclete cuiabano.

Foto de destaque: Roger Culos / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons.







