Farinha de Uarini: crocante, ovalada e com selo de IG no Solimões

Farinha de Uarini: crocante, ovalada e com selo de IG no Solimões

Ela estala entre os dedos, tem grãos pequenos e ovalados e uma cor de dourado claro que se reconhece no primeiro punhado. A farinha de Uarini não se parece com a farinha comum do Norte e do Nordeste, e foi essa diferença, construída por gerações de famílias ribeirinhas, que ganhou um selo oficial.

História e origem

A farinha de Uarini é uma farinha de mandioca crocante e de formato ovalado, produzida por comunidades do Médio Solimões, no Amazonas. A área de produção abrange os municípios de Tefé, Uarini, Alvarães e Maraã e inclui a Floresta Nacional de Tefé e as reservas de desenvolvimento sustentável Mamirauá e Amanã. É uma produção não industrial, de base agroecológica, em que só se admitem produtos fitossanitários aprovados para a agricultura orgânica, e o saber passa de geração em geração.

Em 27 de agosto de 2019, o INPI concedeu à farinha o registro de Indicação Geográfica, na categoria Indicação de Procedência. Foi a terceira IG do Amazonas, depois dos peixes ornamentais do Rio Negro e do guaraná de Maués. O registro é do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, e não do Iphan, que cuida de patrimônio cultural. Na prática, o selo reconhece que o lugar e o modo de fazer dão ao produto características próprias, e ajuda os produtores a valorizar a farinha e a negociar com mais autonomia.

Como é feito

A farinha é o resultado de um processo trabalhoso, que as comunidades dominam em etapas bem definidas. Em linhas gerais:

  1. A mandioca é colhida, descascada e posta de molho para amolecer.
  2. As raízes são raladas ou trituradas, e a massa é prensada para tirar o líquido, de onde saem o tucupi e a goma.
  3. A massa é peneirada e vai ao forno, em grandes tachos, onde é torrada e mexida sem parar.
  4. O ponto de torra define a crocância e a cor, e só depois de esfriar a farinha é ensacada.

O formato ovalado e a textura crocante são as marcas que o selo reconhece.

Onde encontrar

  • Médio Solimões — Tefé, Uarini, Alvarães e Maraã (inclui a Floresta Nacional de Tefé e as reservas Mamirauá e Amanã): região de origem e de produção, e não ponto de venda.

Na prateleira, o melhor guia é o rótulo: procure a menção à procedência e pergunte ao comerciante de onde vem o lote.

Curiosidades

  • Embora o nome cite apenas Uarini, a área do selo abrange quatro municípios e três áreas de conservação.
  • A farinha de Uarini é diferente da farinha usual do Norte e do Nordeste justamente pela crocância e pelo formato ovalado do grão.
  • A farinha acompanha peixes, caldos e o café da manhã na mesa amazônica.
Farinha de Uarini - imagem ilustrativa
Farinha de Uarini (imagem ilustrativa). Foto: Joelma Monteiro de Carvalho / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.
Foto de destaque: Joelma Monteiro de Carvalho / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.
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