Guaraná de Maués: do waraná sateré-mawé ao selo de IG

Pequeno, de casca vermelha que se abre e mostra uma semente escura envolta em polpa branca, o fruto do guaranazeiro lembra um olho espiando de dentro da cápsula. Para o povo Sateré-Mawé, essa semente é muito mais do que alimento: o waraná, como eles o chamam, é a origem de todo conhecimento.
História e origem
Os povos Sateré-Mawé e Munduruku já cultivavam o guaraná séculos antes da chegada dos portugueses. O guaraná de Maués tem selo de Indicação Geográfica do INPI, na categoria Indicação de Procedência. Em 20 de outubro de 2020, o waraná e o pão de waraná da Terra Indígena Andirá-Marau, que se estende entre o Amazonas e o Pará, receberam IG na modalidade Denominação de Origem, a primeira concedida a um povo indígena no Brasil.
O reconhecimento destaca o modo artesanal de produzir dos Sateré-Mawé: os grãos são desidratados e defumados, e o resultado são bastões de cor, aroma, sabor e consistência próprios. A Terra Indígena Andirá-Marau também é descrita como o único banco genético in situ do guaraná existente no mundo.
Maués produz cerca de 250 toneladas por ano, e a colheita costuma ocorrer entre outubro e dezembro.
Como é consumido
- Em pó, obtido das sementes torradas e moídas, misturado em água com açúcar, em uma bebida tradicional.
- Em bastão, que é ralado na hora do preparo, tradicionalmente com a língua do pirarucu.
- Em xaropes, refrigerantes, energéticos e doces industrializados.
O processo tradicional de beneficiamento começa com a colheita dos frutos maduros, seguida do descasque, da lavagem das sementes e da torra. As sementes torradas são socadas até virar pasta, que é modelada em bastões e defumada. O guaraná tem cafeína em boa quantidade, e por isso é usado há muito tempo como estimulante natural.
Onde encontrar
- Maués e Terra Indígena Andirá-Marau (Sateré-Mawé): regiões produtoras, onde estão os produtores e as cooperativas de guaraná.
Ao comprar, vale ler o rótulo atrás da procedência e perguntar ao fornecedor de que produtor ou cooperativa vem o bastão.
Curiosidades
- O reconhecimento de 2020 foi a primeira Denominação de Origem concedida a um povo indígena no Brasil.
- Na tradição sateré-mawé, a palavra waraná está ligada à origem do conhecimento.
- Antes da Denominação de Origem de Andirá-Marau, o guaraná de Maués já tinha Indicação de Procedência, categoria menos restritiva.

Foto de destaque: Bernard DUPONT from FRANCE / CC BY-SA 2.0 / Wikimedia Commons.




