Acuri: a palmeira do Pantanal de polpa e castanha comestíveis

Acuri: a palmeira do Pantanal de polpa e castanha comestíveis

Quem percorre a Nhecolândia, no Pantanal sul, vê palmeiras de folhas longas e arqueadas, carregadas de cachos pesados de frutos marrons. É o acuri, uma das plantas mais abundantes da paisagem e, ao mesmo tempo, uma das menos conhecidas da mesa brasileira.

História e origem

O acuri (Attalea phalerata) é palmeira nativa do Brasil, encontrada também na Bolívia, no Paraguai e no Peru. No país, ocorre no Cerrado, no Pantanal e na transição para a Amazônia, com destaque para as áreas ribeirinhas do Pantanal. Também é chamado urucuri, ouricuri, aricuri e licuri, e o nome vem do tupi antigo urukuri. Na Nhecolândia, está entre as plantas predominantes.

A palmeira alimenta a fauna pantaneira. Antas, emas, cutias e araras grandes se alimentam do fruto e ajudam a espalhar as sementes. Entre os pantaneiros, ela sempre foi um recurso à mão: a folha cobre telhados, a bainha vira cuia e copo, e as fibras da folha, desfiadas e enroladas, servem de linha de pesca.

Como é consumido

Como alimento humano, o acuri é um uso discreto e pouco estudado. As partes comestíveis conhecidas são estas:

  • a polpa do fruto, que concentra magnésio, vitamina A e cobre e é rica em betacaroteno;
  • a amêndoa (ou castanha), boa fonte de ferro e rica em fósforo;
  • o palmito, que pode ser comido cru ou cozido;
  • o óleo, extraído da polpa seca e rico em gorduras insaturadas, com predomínio do ácido oleico.

A frutificação vai de outubro a fevereiro. Não existem receitas consolidadas nem produtos comerciais de acuri documentados no estado, e a polpa ainda é estudada como possível fonte de provitamina A e de corante natural, como alternativa ao betacaroteno sintético. O óleo extraído da polpa, em testes de laboratório, mostrou boa estabilidade e se enquadrou nos padrões para óleos vegetais.

Quem quiser provar deve procurar comunidades pantaneiras, que conhecem os usos e o preparo seguro.

Onde encontrar

As palmeiras de acuri são abundantes no Pantanal sul-mato-grossense, sobretudo na região da Nhecolândia. Não há registro de ponto de venda de produtos de acuri; para conhecer a planta, o caminho é o contato com comunidades e pousadas pantaneiras, sempre com orientação local sobre o que pode ser consumido.

Curiosidades

  • Em estudo com a polpa, o óleo rendeu cerca de 11% do peso da polpa seca, com 78% de gorduras insaturadas.
  • Palmeiras de acuri podem abrigar morcegos, que depositam sementes nas bainhas das folhas, onde brotam novas plantas.
  • A seiva que brota do caule cortado também é citada como bebida de sobrevivência entre os pantaneiros.
Acuri - imagem ilustrativa
Acuri (imagem ilustrativa). Foto: Felipe Do Espirito Santo / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.
Foto de destaque: Bernard DUPONT from FRANCE / CC BY-SA 2.0 / Wikimedia Commons.
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