Tereré: a roda de erva-mate gelada que une Mato Grosso do Sul

Tereré: a roda de erva-mate gelada que une Mato Grosso do Sul

Uma guampa passa de mão em mão, a bomba faz seu ruído de sucção e a água gelada circula pelo grupo, sem pressa. A cena se repete em calçadas, praças e parques de Mato Grosso do Sul, e é o tereré o que a sustenta.

História e origem

O tereré é uma infusão de erva-mate em água fria, tradicionalmente com ervas medicinais, de raízes anteriores à chegada dos europeus. Os povos guaranis, nhandevas e caiouás, teriam inventado a bebida, e os jesuítas aprenderam com eles as virtudes do mate no século XVII. A tradição se consolidou no Paraguai e atravessou a fronteira: em Mato Grosso do Sul, o tereré é símbolo cultural imaterial do estado desde 2011.

Em 17 de dezembro de 2020, o Comitê do Patrimônio Imaterial da Unesco inscreveu na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade as práticas e saberes tradicionais do tereré na cultura Pohã Ñana, bebida ancestral guarani do Paraguai. A candidatura foi apresentada pelo Paraguai, que teve ali seu primeiro bem imaterial na lista. O hábito também é muito apreciado em Mato Grosso do Sul, no Paraná e no Rio Grande do Sul.

Como é feito

O preparo é simples e depende de poucos itens, mas exige água bem gelada.

  • erva-mate própria para tereré;
  • água gelada, com gelo;
  • guampa, o copo tradicional de chifre bovino (hoje também feito de metal, madeira ou couro);
  • bomba, o canudo metálico com filtro, de alumínio e nunca de ferro, que oxida;
  • ervas como limão, hortelã ou erva-cidreira, a gosto.
  1. Encha cerca de dois terços da guampa com a erva-mate.
  2. Tampe a boca com a mão, incline e sacuda para juntar a erva de um lado.
  3. Encaixe a bomba na parte mais funda.
  4. Despeje a água gelada devagar, sem encharcar toda a erva de uma vez.
  5. Beba até ouvir o ruído final da bomba e passe a guampa adiante.

A roda tem regras. A guampa é compartilhada entre amigos, cada um bebe na sua vez e só passa adiante depois de esvaziá-la. Quem não quer mais diz “obrigado”, e o agradecimento é o sinal para parar.

Onde provar

  • Parque das Nações Indígenas — Campo Grande, ponto de encontro de rodas de tereré, sobretudo aos domingos.
  • Mercado Municipal Antônio Valente, o Mercadão — Campo Grande, onde se vende a erva usada no preparo.
  • Feira Central de Campo Grande — Rua 14 de Julho, na Esplanada da Ferrovia, lugar de convivência e de compra de itens regionais.

Horários de mercado e de feira mudam ao longo do ano, de modo que vale confirmar o funcionamento antes de sair de casa.

Curiosidades

  • A palavra guampa vem do quíchua e significa chifre.
  • O som final da bomba indica que a guampa foi toda bebida.
  • A inscrição na Unesco reconhece o tereré como prática de convivência, que promove confiança e inclusão social.
Tereré - imagem ilustrativa
Tereré (imagem ilustrativa). Foto: Overkill53 / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.
Foto de destaque: Overkill53 / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons.
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